Félix Valloton, La liseuse, 1922
segunda-feira, 26 de outubro de 2015
POEMA DA SEMANA (6)
Ode à Paz
Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza,
Pelas aves que voam no olhar de uma criança,
Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza,
Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,
Pela branda melodia do rumor dos regatos,
Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia,
Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego dos pastos,
Pela exactidão das rosas, pela Sabedoria,
Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes,
Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos,
Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,
Pelos aromas maduros de suaves outonos,
Pela futura manhã dos grandes transparentes,
Pelas entranhas maternas e fecundas da terra,
Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas
Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,
Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz.
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,
Com o teu esconjuro da bomba e do algoz,
Abre as portas da História,
Pelas aves que voam no olhar de uma criança,
Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza,
Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,
Pela branda melodia do rumor dos regatos,
Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia,
Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego dos pastos,
Pela exactidão das rosas, pela Sabedoria,
Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes,
Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos,
Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,
Pelos aromas maduros de suaves outonos,
Pela futura manhã dos grandes transparentes,
Pelas entranhas maternas e fecundas da terra,
Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas
Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,
Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz.
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,
Com o teu esconjuro da bomba e do algoz,
Abre as portas da História,
deixa passar a Vida!
Natália Correia
sexta-feira, 23 de outubro de 2015
VINDIMA
Outubro foi o mês da vindima na Escola Profissional Agrícola Conde de S. Bento. Esta actividade foi desenvolvida pelos alunos do 10.º ano de escolaridade no âmbito da Formação em Contexto de Trabalho. Abaixo podem ser vistas algumas fotografias, gentilmente cedidas pelo professor Isaías Machado, que documentam esta faina agrícola tão tradicional no nosso país e que, hoje, decorre de forma e com implicações muito diferentes do passado.
Para quem quiser reviver a maneira como esta actividade acontecia no passado e qual o seu impacto sociológico, a Biblioteca Rosae recomenda os seguintes livros:
- Vindima de Miguel Torga;
- Ciclo Port Wine (Horizonte Cerrado, volume I; Os Homens e as Sombras, volume II; e Vindima de Sangue, volume III) de Alves Redol.

Vindima foi o primeiro e único romance de Miguel Torga e constitui uma homenagem ao Douro, às suas gentes e às suas paisagens. É sem dúvida, um livro para todos os que amam esta extraordinária região. No Ensino Secundário este livro está recomendado como sugestão de leitura.
Para Alexandre Pinheiro Torre, a trilogia que constitui o Ciclo Port-Wine, Horizonte Cerrado (1949), Os Homens e as Sombras (1951) e Vindima de Sangue (1953) foi, entre os projectos literários romanescos de Alves Redol, o de mais dilatadas ambições. De acordo ainda com Alexandre Pinheiro Torres, não há uma obra de ficção em toda a literatura portuguesa que se lhe compare quanto à ambição dos propósitos.
Estas sugestões de leitura não estão disponíveis na Biblioteca Rosae, porém podem ser facilmente encontradas na Biblioteca Municipal de Santo Tirso, ou noutra qualquer que fique mais próxima de ti.
VISITA DA ESCRITORA ANABELA PINTO À BIBLIOTECA ROSAE
Ontem, 22 de Outubro, no final da tarde, a Biblioteca Rosae recebeu a visita da escritora tirsense Anabela Pinto. Esta visita possibilitou que a turma A do 10.º ano de escolaridade estabelecesse um contacto directo com a autora. Este permitiu conhecer a sua obra e o seu percurso literário, desvendar os motivos porque escreve, compreender a génese dos seus livros, etc. Na parte final da sessão, os alunos encetaram um animado diálogo com a escritora que acabou por constituir um interessante momento de promoção do livro e da leitura. Anabela Pinto é doutorada em Literatura Medieval pela Universidade do Minho, investigadora inscrita na Fundação para a Ciência e Tecnologia, membro integrante do Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho e docente de Português. Tem publicadas quatro obras de ficção, três romances (Era uma vez um cervo, 2011; A vida é uma chávena de café, 2013 e Deus já regressou da Jamaica, 2015) e uma colectânea de contos (O mundo está a ver: contos urbanos, 2011) Em Maio de 2014 publicou um ensaio, parte da sua tese de doutoramento, intitulado Mind Your Head, originalmente escrito em português. Esta actividade insere-se na comemoração do Mês Internacional da Biblioteca escolar.
quarta-feira, 21 de outubro de 2015
A VOZ DOS ALUNOS
Uma cadeira farta
Cada vez que entro na sala de estudo ouço a minha cadeira fofocar com a mesa, “aí vem o preto” e eu olho para elas com a mesma indiferença. Depois de pousar o meu computador “portátil” na mesa com cuidado, atiro-me na cadeira como sempre!
A cadeira farta, pergunta à mesinha: Porque é que ele te trata bem e a mim não? Ele senta-se sobre mim todos os dias, mas não me trata como deve ser…
- Precisas de entendê-lo, pois ele tem andado muito cansado por causa do estágio, interveio a mesinha...
A cadeira não satisfeita com a resposta, disse: “Quando alguém fica cansado procura descansar e não fazer isto que ele faz!”.
Queria não me meter na conversa das duas, mas quando olhei para a cadeira com aquela cara tristonha percebi que tudo que ela queria era a minha atenção, os meus cuidados e o meu carinho.
E então levantei-me sem arrastar a cadeira e voltei a sentar-me devidamente. A cadeira surpreendida olhou para mim e para a mesinha, e sorriu. Quando olhei para ela, sorrindo, pude perceber que afinal a minha cadeira é bonita e então prometi cuidá-la bem para sempre, não só dela mas de tudo o que estiver à minha volta.
Eu, a cadeira, a mesinha e o computador, que não quis dar nem uma palavrinha, ficamos felizes e tornamo-nos os melhores amigos.
Liorido Carlos Mussá, 11.º C
segunda-feira, 19 de outubro de 2015
POEMA DA SEMANA (5)
Louvor do Aprender
Aprende o mais simples! Pra aquelesCujo tempo chegou
Nunca é tarde de mais!
Aprende o abc, não chega, mas
Aprende-o! E não te enfades!
Começa! Tens de saber tudo!
Tens de tomar a chefia!
Aprende, homem do asilo!
Aprende, homem na prisão!
Aprende, mulher na cozinha!
Aprende, sexagenária!
Tens de tomar a chefia!
Frequenta a escola, homem sem casa!
Arranja saber, homem com frio!
Faminto, pega no livro: é uma arma.
Tens de tomar a chefia.
Não te acanhes de perguntar, companheiro!
Não deixes que te metam patranhas na cabeça:Vê c’os teus próprios olhos!
O que tu mesmo não sabes
Não o sabes.
Verifica a conta:
És tu que a pagas.
Põe o dedo em cada parcela,
Pergunta: Como aparece isto aqui?
Tens de tomar a chefia.
Bertold Brecht, tradução de Paulo Quintela
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