António Carneiro, 1927, Camões lendo «Os Lusíadas» aos frades de S. Domingos
segunda-feira, 18 de abril de 2016
POEMA DA SEMANA (26)
Regresso a Ítaca
Conheces a casa pelos cheiros e os ruídos
As sombras na parede a certas horas
Uma jarra de rosas sobre a mesa
E a primavera no quintal com seu perfume
De terra e musgo e buxo e flores de limoeiro
Conheces a casa até por sua música
Que é um branco silêncio povoado
Por móveis e tapetes ecos vozes
Este devia ser o teu lugar sagrado
aquela Ítaca secreta em que pensavas
Manuel Alegre, Chegar aqui
quarta-feira, 13 de abril de 2016
segunda-feira, 11 de abril de 2016
POEMA DA SEMANA (25)
Soneto
É preciso saber porque se é triste
É preciso dizer esta tristeza
Que nós calamos tantas vezes mas existe
Tão inútil em nós tão portuguesa.
É preciso dizê-la é preciso despi-la
É preciso matá-la perguntando
Porquê esta tristeza como e quando
E porquê tão submissa tão tranquila.
Esta tristeza que nos prende em sua teia
Esta tristeza aranha esta negra tristeza
Que não nos mata nem nos incendeia
Antes em nós semeia esta vileza
E envenena o nascer de qualquer ideia.
É preciso matar esta tristeza.
Manuel Alegre, Praça da Canção, 1965
segunda-feira, 4 de abril de 2016
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