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Vista geral

segunda-feira, 23 de maio de 2016

POEMA DA SEMANA (31)

Pastelaria


Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura

Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio

Afinal o que importa não é ser novo e galante
- ele há tanta maneira de compor uma estante!

Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício

Não é verdade, rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola

Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come

Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!

Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora - ah, lá fora! - rir de tudo

No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra

Mário Cesariny

sexta-feira, 20 de maio de 2016

HORA DO CONTO





Hoje, na Biblioteca Rosae, tivemos o prazer de receber alunos do Pré-escolar do Agrupamento de Escolas de Abel Salazar em S. Mamede de Infesta. Acolhemos estes alunos, as suas educadoras e auxiliares com a leitura do conto Tio lobo de Xosé Ballesteros. Esta história tradicional italiana poderá ser conhecida através do vídeo que se encontra abaixo. Este foi realizado com base nas ilustrações que Roger Olmos desenhou para a edição deste conto da editora Kalandraka, de 2010.



BALLESTEROS, Xosé - Tio lobo. Trad. de Alexandre Honrado; il. de Roger Olmos. 2.ª ed. Matosinhos: Kalandraka, 2010. [33] p. ISBN 978-972-8781-15-6.


segunda-feira, 16 de maio de 2016

DIVULGAÇÃO (3)




A LEITURA E A ARTE (30)


Sherree Valentine Daines

POEMA DA SEMANA (30)

Pecado Original

Sim, Mãe! sim, quanta vez te vi chorar...,
Sem desistir de te fazer sofrer!
Gozava então nem sei que atroz prazer
De te arranhar no peito... e me arranhar.

Mas quis lutar comigo, Mãe! lutar
Contra esse monstro obscuro do meu ser.
Que sonho, Mãe!: ter-me eu em meu poder,
Talhar-me bom, feliz, simples, vulgar...

Mãe! com que força eu vi que era impotente!
... Porque de bem mais longe e bem mais fundo
A culpa do meu ser a nós dois veio.

Perdoemos um ao outro, humildemente:
Eu, Mãe! — ter-me o teu seio dado ao mundo;
Tu, — ter-me eu feito vida no teu seio.

José Régio