Mais um passo na implementação do Projecto ColorADD na Biblioteca Rosae
sexta-feira, 17 de junho de 2016
quarta-feira, 15 de junho de 2016
segunda-feira, 13 de junho de 2016
POEMA DA SEMANA (34)
Nona Sinfonia
o tom mais alto que tiver a vida
a glória de cantar que tudo move
a força de viver enraivecida.
Num palácio de sons erguem-se as traves
que seguram o tecto da alegria
pedras que são ao mesmo tempo as aves
mais livres que voaram na poesia.
Para o alto se voltam as volutas
hieráticas sagradas impolutas
dos sons que surgem rangem e se somem.
Mas de baixo é que irrompem absolutas
as humanas palavras resolutas.
Por deus não basta. É mais preciso o Homem.
Ary dos Santos
quarta-feira, 8 de junho de 2016
A VOZ DOS ALUNOS (3)
Violência Doméstica
A Claudette, uma mulher de 30 anos, era muito reservada, muito calada, muito sozinha. Era bonita, muito bonita mas contudo a vida nunca foi um mar de rosas para ela, a mãe morrera teria ela os seus 10 anos, o pai fugiu porque não sabia lidar com a morte da mulher e a Claudette ficou à guarda da avó. A avó sempre fez tudo para que a neta tivesse uma vida dita normal, mas nada lhe tirava o desgosto de ter perdido os pais.
Quando entrou para a universidade, a Claudette ficou interessada num rapaz, mas não o sabia demonstrar, foi-se aproximando dele e até chegou mais tarde a dizer-lhe o que sentia. O rapaz, que se chamava Marco, não expressou qualquer tipo de sentimento, mas a verdade é que também tinha uma atração por ela.
Não foi preciso muito tempo para se desenrolar uma bela história de amor, ou pelo menos aparentava ser, mas como se costuma dizer “por trás de um grande sorriso, há uma enorme tristeza.”
Marco era um rapaz ciumento, muito ciumento até e para além de ciumento era possessivo e não permitia qualquer tipo de contacto entre a Claudette e outro rapaz. Com o passar do tempo esta situação ficou grave. Ele fazia uma cena de ciúmes por tudo e por nada e apesar de farta, Claudette não conseguia pôr um fim àquela relação. A situação com o passar dos anos foi melhorando até que casaram.
Se Marco era possessivo durante o namoro, quando casado com Claudette era exageradamente possessivo.
Sou amiga dela há muito tempo e lembro-me de uma situação que se passou comigo. Ela estava em minha casa e nisto, Marco achou que era um abuso da parte dela, sair de casa para ir ter com uma amiga e agrediu-a mesmo ali á minha frente.
Claudette nunca me contou nada daquilo que se passava na relação deles, mas vim a saber depois que esta situação se vinha a passar desde há muitos anos.
Infelizmente, como em muitos casos, Claudette já não está cá hoje para poder fazer queixa do marido. Marco acabou por levá-la à morte… Sei que no fundo era essa a vontade de Claudette: morrer, em vez de sofrer.
Querida Claudette, eternas saudades tuas!
Bruna Filipa Ferreira Carneiro, 10.º D
POEMA INÉDITO DE FERNANDO PESSOA PUBLICADO NO «JORNAL DE LETRAS, ARTES E IDEIAS»
Cada palavra dita é a voz de um morto.
Aniquilou-se quem se não velou,
Quem na voz, não em si, viveu absorto.
Se ser Homem é pouco, e grande só
Em dar voz ao valor das nossas penas
E ao que de sonho e nosso fica em nós
Do universo que por nós roçou;
Se é maior ser um Deus, que diz apenas
Com a vida o que o homem com a voz:
Maior ainda é ser como o Destino
Que tem o silêncio por seu hino
E cuja face nunca se mostrou
Fernando Pessoa, 19 de Setembro de 1918
FILHO, José Paulo Cavalcanti - Um inédito de Fernando Pessoa. Jornal de Letras, Artes e Ideias. ISSN 0870-452X. (8 Jun. 2016) 12-13.
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