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Vista geral

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

CAMPANHA NÃO À DIABETES!


“Não acredite que acontece só aos outros” é o mote para a campanha de prevenção NÃO à diabetes!, lançada em 21 municípios a 14 de novembro, data em que se assinalou mais uma vez o Dia Mundial da Diabetes. A campanha apela diretamente às pessoas para que façam online a sua própria avaliação do risco relativamente a uma doença que, em 2015, afetava cerca de um milhão de indivíduos em Portugal, sendo que muitos desconhecem ser diabéticos. Por outro lado, está provado que a diabetes tipo 2, a que mais tem aumentado, pode ser prevenida ou, pelo menos, o seu aparecimento pode ser atrasado de modo significativo.
No novo portal passam a estar disponíveis estas e outras informações relevantes sobre a diabetes: somos alertados para os principais fatores de risco relacionados com a diabetes tipo 2, por exemplo; ou são dados conselhos e sugestões para a adoção de estilos de vida saudáveis.
A campanha NÃO à diabetes! aposta sobretudo no preenchimento online do questionário de avaliação de risco para que possam ser encaminhados para os Centros de Saúde os indivíduos identificados como potencialmente diabéticos ou pré-diabéticos, a fim de serem realizadas consultas de diagnóstico. Os utentes com risco moderado, elevado e muito elevado, participarão no Programa GOSTO – Programa de Alterações do Estilo de Vida, para que adquiram conhecimentos básicos que lhes permitam gerir e melhorar o seu estilo de vida, no sentido de diminuir o risco e evitar o aparecimento da diabetes. A formação de Gestores da Prevenção da Diabetes, destinada aos técnicos dos gabinetes municipais ligados à saúde e desporto e aos profissionais de saúde das unidades de saúde dos municípios, é outra das vertentes do projeto NÃO à diabetes! que arranca numa 1.ª fase em 21 municípios. Está já previsto o alargamento do projeto a várias dezenas de outros municípios que já manifestaram interesse em participar.
Coordenado pela Associação Protetora dos Diabéticos em Portugal e financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian, o projeto NÃO à diabetes! tem entre os seus parceiros a Associação Nacional de Municípios Portugueses, a Associação Nacional das Farmácias, o Ministério da Saúde – Direção-Geral da Saúde e a Administração Regional de Saúde, e resulta de um desafio assumido pela Fundação Gulbenkian no âmbito do estudo Um Futuro para a Saúde – Todos temos um papel a desempenhar, apresentado em 2014. O “desafio”, tal como era assumido no estudo, pretende suster o aumento contínuo da frequência de diabetes, o problema de saúde pública com mais rápido crescimento em Portugal.
Estima-se que o país tenha a mais alta prevalência desta doença na Europa, e que a diabetes tenha custado ao orçamento da saúde mais de 1 200 milhões de euros em 2011, o que corresponde a aproximadamente 0,8 % do PIB. Em Portugal, todos os anos, 60 mil pessoas são diagnosticadas com a doença e irão necessitar de cuidados de saúde e de tratamento para o resto das suas vidas. É, assim, uma das questões de saúde mais urgentes que o país enfrenta.
Texto publicado na página da Fundação Calouste Gulbenkian
Para saber mais sobre esta campanha ou avaliar o risco de vir a sofrer desta doença clique aqui.


terça-feira, 13 de dezembro de 2016

PARA REFLECTIR (13)

Hoje, os bárbaros andam à solta. A maioria das crianças em idade escolar nunca ouviu falar em Homero ou em Virgílio, algumas não recebem qualquer educação religiosa, e o ensino das línguas modernas está quase parado. A História luta por um lugar reduzido nos currículos, ao lado de disciplinas aparentemente mais importantes como a Economia, as Tecnologias da Informação, a Sociologia ou a Comunicação Social. O materialismo e o consumismo são endémicos. Os jovens são obrigados a aprender dentro de um casulo cheio de falso optimismo. Ao contrário dos pais e dos avós, crescem com muito pouco sentido da implacável passagem do tempo.

Norman Davies

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

LIVROS: BONS PRESENTES DE NATAL


A LEITURA E A ARTE (50)



Jeune femme lisant, 1969, Marc Chalmé

POEMA DA SEMANA (50)

Sobre um Poema

Um poema cresce inseguramente
na confusão da carne,
sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
talvez como sangue
ou sombra de sangue pelos canais do ser.

Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência
ou os bagos de uva de onde nascem
as raízes minúsculas do sol.
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
do nosso amor,
os rios, a grande paz exterior das coisas,
as folhas dormindo o silêncio,
as sementes à beira do vento,
- a hora teatral da posse.
E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.

E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,
invade as órbitas, a face amorfa das paredes,
a miséria dos minutos,
a força sustida das coisas,
a redonda e livre harmonia do mundo.

- Em baixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério.
- E o poema faz-se contra o tempo e a carne.

Herberto Helder